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segunda-feira, dezembro 21, 2009

Futuro

Eu sou o futuro daquilo que vês.
Uma estrela transparente de vontade própria, um fugaz momento de sentido.
Que não parte nem fica.
Que não mente nem grita.

Eu sou aquilo que escolheste viver e ceder.
Em mim os sonhos são, finalmente!
São os sonhos como impossibilidade de o nunca serem ou mesmo de o já terem sido por existir.

Se segurares a minha delicada mão poderás admirar o infinito e a certeza de que algo existe. Algo que não sou eu nem tu. Mas mais que nós e toda a gente. E todo o respirar, e todo o acreditar e todo o lugar...

As palavras são o que fizeres delas.
O futuro sou eu, nas estrelas!

segunda-feira, julho 24, 2006

Esquecer de esquecer...

estava eu a dizer que sigo ideais
quando nas aulas, me indignava com a professora por causa da deslocação social dos actores pensava e continuo a pensar que temos um papel pedagógico
e que nem sempre se podem encontrar bons guias para o fazer
sobre o que estou a escrever?
da função social da arte!

não me podem dizer que corro atrás de um sonho apenas para dizer que quando morrer lutei por ele
e que sonho é esse?
e porquê o gosto de fazer arte?

cortam-nos as pernas e temos de andar por onde nos mandam.... por onde é lógico
por onde e necessário
e as vezes ficamos um pouco pra trás
esquecemo-nos de nós, do que somos e do que queremos
e a vida passa-nos ao lado
só isso....

mas...

Só nos esquecemos do que queremos se deixarmos de saber porquê...

segunda-feira, julho 10, 2006

Um sorriso ou uma mentira?

O dias passam por entre os dedos submetidos à realidade do mundo.
Estava sol e de repente fez-se escuro, frio e austero...
O teu sorriso que era uma verdade e que me enchia de alegria, sinto que nos afastámos por um segundo e logo entre nós, o mundo.

Venho dando os passos sozinho e já nem sei se devo abraçar a solidão ou a companhia.

quinta-feira, maio 18, 2006

O Gato Escondido Com o Rabo de Fora


-"Viste como o céu se abriu?"
Encostei a minha cara na areia molhada e aspirei o som do mar.
-"Não há tempestade que dure sempre..."
Vale a pena? Valeria a pena?
Agora tinha a certeza que a espera era um grande alcance e que os sulcos de tristeza em breve seriam uma memória.
De uma estocada e veloz como um pássaro, coloquei-me de pé. Mãos nas ancas e sorri para o horizonte.
-"Agora é reconstruir tudo..."
Construir tudo instintivamente e passo-a-passo, invertendo as equações do mundo. Essas regras a que somos forçados a obedecer, num inacreditável suspiro de loucura, como se de uma ditadura de mente se tratasse. Ser humano é mais do que um simples ser, é acreditar que o mundo pode ser melhor e que nem sempre perdemos a batalha a não ser que larguemos as armas. E se as armas não estiverem nas nossas mãos, nas mãos de quem então...?
Já não vou em conversas de boa-vontade nem de que há tempo para tudo se cômpor. Pego na enchada de palavras e cavo o sitio onde colocarei os pilares da certeza.
Essa tempestade não volta... Pois é um gato escondido com o rabo de fora!

segunda-feira, outubro 03, 2005

Beleza do mundo


Mil paixões se encerram no peito desse poeta.
Um oásis de cor esbatida pela necessidade de amar.
E nessa porta aberta,
à beleza do mundo sorri
até se pasmar.

Nesse segundo parado...
Não responde à frieza do mundo.
Vale mais ficar calado!

sábado, outubro 01, 2005

What's the purpose

"What's the purpose?"
Aparentas uma voz calma. Sais em surdina da rua onde passam as vestes ociosas do passado.

"What's the purpose?" - perguntas-me
enquanto eu deixo cair a tua blusa desapertando o último botão.

"Não sei" - penso!
Mais uma vez caimos na mesma solidão e essa fonte carnal com suor e gemidos latentes soa a solução pouco segura... (pausa) Sente!

O arrepio suave que um toque na nuca transmite e de seguida envolves de fragância mar os meus sentidos já prestes a brotarem com a correnteza das sensações cardiacas perdidas na infinitude da tua pelvis.

"Qual é o propósito?" - penso.
"Qual é o propósito?" - digo.
"Qual é o propósito?" - digo com afinco.
E já não sei se penso só ou também o sinto, como se a tua presença lançasse o meu coração num abismo de chamas. E perco-me enrolado no teu ventre, numa reaparição estranha de mim, na insistência das minhas veias carregadas de solidão prestes a explodir.

Qual o propósito disto, se não o fazemos de propósito nem com objectivo?

Efémuro e imediato como uma actuação, com o tu bailando sobre o eu, com a transcendência de ti negando este amor maldito que um dia inscrevi na minha vida. Para sempre condenado a te gritar:
"There is no purpose!"

sexta-feira, setembro 16, 2005

Verdade na Incerteza e Vazio na Razão

Quantas vezes procuramos sonhar e não encontramos porquê?
Quantas vezes tentamos sorrir e desistimos de seguida?

Encontrei vontade para estas coisas num único lugar.
Tantas vezes procurado e não conseguido, tantas vezes ignorado e posto de lado.

Na calma voz interior que me desperta para a vida, com o mundo e a paisagem como pano de fundo, vou vivendo a minha essência, talvez personagem, mas indubitavelmente mais nada senão eu.

Não importa se me levanto sóbrio e torno a cair nas malhas de uma ilusão definida na beleza fútil. Sou eu que decido, sou eu que prometo a mim mesmo viver. Não vou falhar nem vacilar e sei que no final - se é que ele existe - toda essa paisagem que se estende frente a mim, todo esse espírito das coisas que verte energia sublime e pura, converge a ser apenas aquilo que sempre foi: Espaço e tempo.

E nos milhões de olhares e raciocínios, tentando revelar lógica na solidão, vou descobrindo verdade na incerteza e vazio na razão.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Ainda agora ou Antes ou Amanhã

Ainda sou o mesmo que cativou o teu sonho e enrolou na saudade a razão porque fomos um.
Ainda trago pedaços de seiva enriquecida de amor que atropelam os meus dias.

Ainda agora ou Antes ou Amanhã
Nessa controversa leitura diagonal dos desejos entre nós.
A Felicidade terminou nesse momento, pois não havia lugar para voltar.
Berraste o meu nome e eu soube, de imediato, que tinha o mundo inteiro pela frente.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Brisa de Agosto

No cimo desse vale, no pico mais alto encontras a coragem e relembras as palavras da ausente brisa de Agosto:

«Vesta limpa incrustada e ausente
Ver de lado o verão que pressente
novidade,
luta...
"Tenho que ir!
Por favor mente!"...»

Que queres fazer agora?
Vês aquela núvem de fumo?
Portugal arde e nós somos os seus escombros desde há muito.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Raizes

As formas de ver as coisas que não são meros acasos, são um resultado de gerações, culturas, sabores a terra, temperança de uma familia, descendentes e ascendentes.

Quem nasce na sua terra tem a familia à porta, reconhece nos genes o passado da mesma. No entanto, hoje em dia, deslocam-se os seres humanos de lugar em lugar incessantemente. O que não seria grave. Pois o movimento de uma pessoa assemelha-se ao recolher do pólen pela abelha, de várias flores, enriquecendo o mel, o resultado dessa procura.

Não obstante a positividade desta atitude, compete a cada um não esquecer as suas raizes, o sitio de onde veio o seu sangue e buscar geração ante geração as motivações e mapa dos movimentos.